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Esportes Bruno Malias

Das quadras de areia para a gestão do Esporte

Bruno Malias vestiu a camisa da seleção brasileira de futebol de areia e, agora, trabalha na gestão e no fomento do esporte capixaba

19/06/2021 às 09h10 Atualizada em 19/06/2021 às 19h53
Por: Agora ES
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Foto: Rodolfo Santos
Foto: Rodolfo Santos

Por Lívia Albernaz

Dez anos vestindo a camisa da seleção brasileira de futebol de areia; jogou no exterior, em países como Itália, Rússia, Hungria e Turquia; fez história na modalidade e é um dos nomes que, para sempre, será lembrado no esporte: esse é o Bruno Malias, que, embora ainda novo, se aposentou das quadras em 2017 e, hoje, trabalha para o crescimento e fortalecimento do esporte em todo o Espírito Santo.

Bruno começou no futebol aos 5 anos de idade na escola e logo conheceu o caminho das glórias e dos títulos no futsal do Álvares Cabral, sendo campeão de tudo que disputou. Em 1999, aos 19 anos, foi para o juvenil do Minas Tênis Clube, onde firmou contrato e teve, pela primeira vez, a carteira assinada como atleta.

“O pontapé da minha carreira foi com o futsal na escola, no Álvares, e depois no Minas Tênis. Fazia PUC e fui morar sozinho em Belo Horizonte. Meu pai disse que eu podia ir, mas não deveria parar de estudar. Então, eu fazia PUC pela manhã, treinava na hora do almoço e no final da tarde. Era uma rotina desgastante, mas muito bacana. Eu cresci muito nesse processo. Acabou que as coisas não deram certo e eu voltei para Vitória. Desisti do futebol e fui trabalhar na Vale do Rio Doce como estagiário em Ciências Contábeis. Foi quando me convidaram para jogar futebol de areia, quando eu já tinha desistido em ser atleta”, contou Bruno.

Foto: Rodolfo Santos

O primeiro contato com a modalidade que o consagrou foi em 2000, quando fez história ao integrar a seleção de Vitória no primeiro Campeonato Estadual que teve no Espírito Santo. E, por um lindo caminho que começava a se desenhar, ele dividia seu tempo treinando nas areias de Camburi e com seu trabalho à tarde.

Carreira na areia

O início nas areias foi avassalador. "Primeiro ano seleção de Vitória, segundo ano seleção capixaba, logo depois seleção brasileira e aí fiquei 10 anos lá. De 2003 a 2013. Tive também a oportunidade de jogar no exterior."

Foto: Arquivo pessoal

A experiência no exterior abriu ainda mais as portas para o atleta, que ficou reconhecido mundialmente, e depois o fez vestir camisa de outros clubes de fora, como o Sporting de Lisboa, onde consagrou-se campeão português. Com passagens na Rússia e Turquia, também se destacou no futebol de areia húngaro, sendo tricampeão nacional.

“Tenho outras ótimas recordações, como a classificação do Rio Branco aqui contra o Botafogo em uma seletiva. No finalzinho do jogo, eu e meu irmão Diogo Malias, tabelamos uma bola e fizemos o gol. Tem o título com a seleção de Cariacica em 2012, onde consegui trazer meu irmão para meu time e fomos campeões juntos.”

Em sua carreira, atuou em equipes como Flamengo, Botafogo, Corinthians, Santos, Rio Branco, Sporting, Boca Juniors, Spartak Moscou, Besiktas, além de Energia (Hungria), Malvin (Uruguai), Sable Dancers (Suíça), Milano (Itália), Lignano (Itália), Catanzaro (Itália), Seleção de Vitória e Seleção Capixaba de Beach Soccer.

Seleção Brasileira

Foi uma década vestindo a camisa canarinho e Malias teve a oportunidade de ganhar tudo que jogou. O craque lembra com orgulho dos grandes momentos. “Nós ficamos quatro anos invictos, foram setenta e tantas partidas. Era uma época bacana, onde os jogos passavam na televisão no domingo de manhã. Tinha chamada no Globo Esporte, Jornal Nacional e Jornal Hoje. A seleção brasileira abriu o mundo para mim. Sou grato demais. Foi um privilégio, uma oportunidade incrível jogar pela Seleção Brasileira. É uma credibilidade incrível defender seu país, disputar sete Copas do Mundo.“

Foto: Arquivo pessoal

Treinador

A primeira experiência como treinador foi em 2011, no Rio Branco Beach Soccer Feminino. Em 2015 foi ser treinador da seleção de Seicheles (2015), coordenador técnico da Federação Húngara de Futebol, de 2016 a 2017, treinador da equipe do Energia Beach Soccer (2018), auxiliar técnico da equipe do Emirados Árabes, 2019. No Brasil, foi o treinador da equipe do Rio Branco Beach Soccer Feminino, de 2011 a 2019.

"Foi aí que comecei a trabalhar no Rio Branco Beach Soccer. Fiz a gestão do projeto e ainda tive a oportunidade em trabalhar com grandes caras, como o Erich Bomfim, Alex Fabiano, Carlos Henrique Simões. E foi por causa das oportunidades internacionais, como por exemplo na Hungria, onde fiz a minha transição de jogador para treinador e coordenei o programa de desenvolvimento da Hungria, que alcancei esses voos."

Foto: Arquivo pessoal

Gestão

Hoje, Malias trabalha na Secretaria de Estado de Esportes (Sesport), onde é gerente de Formação e Rendimento. "A minha função é olhar para a formação e para o rendimento do desporto no Espírito Santo e propor políticas públicas que possam impactar diretamente em uma construção e estruturação desses processos. Quando a gente fala de formação, a gente está falando de formação de todas as modalidades esportivas", disse Malias, que lida diretamente com todas as federações esportivas do Espírito Santo.

Foto: Arquivo pessoal

"Precisamos compreender que o esporte tem outras vertentes. Participei de projetos esportivos, aqueles que transmitem valores e princípios para a vida dos praticantes. Hoje tenho projetos esportivos e acredito muito no esporte educacional, aquele que possibilita o contraturno escolar, e também na tecnologia e teatro. A gente consegue deixar as crianças e jovens dentro das escolas. Esses muros os protegem dos problemas sociais que temos hoje."

Malias reforça ainda a grandeza dos atletas capixabas. "Precisamos pensar estrategicamente no Espírito Santo. Nós temos muitos talentos. Precisamos de estrutura para que esses talentos aflorem. E não é só na estrutura de campo e espaços esportivos. É investimento em tecnologia, na capacitação de pessoas. É preciso entender e pensar o esporte de maneira transversal."

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