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Escola convoca pais para substituir professores que precisam faltar por Covid no Texas

No Texas, um distrito escolar da cidade de Kyle, a 35 km da capital Austin, teve que pedir aos pais dos alunos que se tornassem professores substitutos

14/01/2022 às 10h06
Por: Agora ES Fonte: FOLHAPRESS
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Foto: Reprodução/Internet
Foto: Reprodução/Internet

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS)

A alta vertiginosa de casos de Covid-19 nos Estados Unidos, ligada ao avanço da variante ômicron, tem afetado o funcionamento das escolas no país. Algumas instituições decidiram não retomar aulas presenciais, e outras sofrem com a falta de mão de obra, já que muitos professores precisam se afastar após contrair a doença.

No Texas, um distrito escolar da cidade de Kyle, a 35 km da capital Austin, teve que pedir aos pais dos alunos que se tornassem professores substitutos. Na semana passada, a organização que administra os colégios locais enviou um email às famílias incentivando os responsáveis a se inscrever para as vagas.

O distrito abriga mais de 20 mil estudantes em 25 campi. Segundo um levantamento da instituição, há 318 alunos com Covid na região, sendo que só entre terça (11) e quarta-feira (12) foram 241 novos diagnósticos informados --isso tudo além dos 61 casos ativos da doença entre funcionários.

No último dia 6, a instituição postou no Facebook um anúncio de vagas direcionado aos pais de alunos, comunicando que as escolas estavam contratando professores substitutos com certificação ou elegíveis ao cargo, ainda que sem certificação. O texto pontuou vantagens como "remuneração competitiva", acesso a seguro de saúde, oportunidade de treinamento contínuo e "excitantes programas de bônus".

No próprio post, alguns perfis criticaram a iniciativa. "Isso é uma piada, apoiem seu sistema local de educação", disse um homem. Outra usuária questionou: "Em vez de melhorar as condições de alunos, professores e funcionários, vocês decidiram contratar fura-greves?", em referência a um movimento de reivindicações por parte dos profissionais.

Em resposta, uma porta-voz do distrito disse à rede Fox 7 Austin que seria melhor usar os pais-professores do que fechar as escolas.

O distrito escolar geralmente tem cerca de 500 professores substitutos disponíveis por ano, mas o número caiu a cerca de cem no ano passado, em meio ao avanço da variante delta. Desde então, segundo o porta-voz da instituição, Tim Savoy, disse ao portal Insider, foram contratados 200 profissionais, mas com a ômicron "a demanda aumentou bastante".

Por causa da alta de diagnósticos, na primeira semana do ano algumas cidades americanas decidiram voltar para o ensino remoto --por exemplo, Atlanta, Detroit, Newark, Milwaukee, Cleveland e Chicago. Só nos primeiros sete dias do ano, 4.783 escolas americanas estavam com aulas presenciais suspensas, mais do que em qualquer outro período do ano passado, segundo a Burbio, empresa que mapeia a situação das instituições de ensino no país.

Levantamento do jornal The Washington Post apontou que ao menos 4.000 crianças com Covid estavam hospitalizadas nos EUA no último dia 5, marca superior a picos registrados durante o último verão no país, entre junho e agosto de 2021. No último domingo, os EUA ainda registraram um recorde no número de hospitalizações, levando em conta todas as faixas etárias.

O avanço da ômicron também tem afetado instituições de ensino em outras partes do mundo. Na Europa, atual epicentro da pandemia, professores franceses entraram em greve nesta quinta, com críticas à forma como o governo tem agido para frear o vírus nesse setor. De acordo com o sindicato que representa a categoria, 75% dos docentes paralisaram as atividades; o Ministério da Educação fala em adesão de 38%.

"Estamos no 30º protocolo desde o início da crise sanitária", disse à agência de notícias AFP Vanessa Cognet, diretora de uma escola rural em Châteldon (a 360 km de Paris), reclamando ainda que novas instruções chegam um dia antes de serem implantadas.

Na segunda (10), o primeiro-ministro Jean Castex anunciou o protocolo mais recente --e um pouco mais flexível, para tentar acalmar a tensão. Os professores, porém, mantiveram a greve.

Pelas regras, quando um caso positivo é detectado em sala de aula, o restante dos alunos deve realizar até três autotestes para continuar frequentando a escola. Antes, as crianças e adolescentes precisavam se submeter a um primeiro teste de antígeno ou PCR.

As medidas anteriores causaram longas filas em frente a farmácias, e muitos pais disseram que precisaram faltar ao trabalho para auxiliar os filhos com os exames. De acordo com o Ministério da Saúde francês, quase 12 milhões de testes foram realizados dessa forma na semana passada, um aumento de 44% em relação às últimas semanas.

Na Finlândia, quem se revoltou com as orientações do governo central para frear a disseminação do vírus em escolas foram as administrações locais. A ministra responsável pela gestão da Covid no país disse na semana passada que achava que a volta presencial às aulas não era segura e recomendou que as instituições deixassem toda a classe em quarentena no caso de um estudante ter o diagnóstico.

Em resposta, um grupo de epidemiologistas escreveu uma carta aberta criticando os planos de ensino remoto. "Quarentenas obrigatórias não são mais um jeito efetivo de controlar a pandemia", disse Taina Isosomppi, secretária de Saúde de Helsinque, à agência Reuters. Segundo ela, as escolas da região metropolitana da capital vão se rebelar e deixar de seguir a orientação do governo.

A disseminação da ômicron forçou fechamentos de instituições de ensino ainda em locais do Canadá, incluindo Ontario, província mais populosa do país; da Índia, a exemplo da capital, Déli; e do Nepal. Pelas próximas três semanas, as escolas nepalesas só vão abrir presencialmente para servir de posto de vacinação de adolescentes de 12 a 17 anos.

Hong Kong também apostará na imunização infantil como forma de garantir uma volta às aulas em breve. A chefe-executiva do território, Carrie Lam, determinou que jardins de infância e escolas primárias fiquem fechadas até o Ano-Novo lunar, em fevereiro, depois que foi detectada a transmissão comunitária da nova cepa a ao menos 40 pessoas --segundo a Reuters, Hong Kong chegou a ficar três meses sem registrar casos locais de Covid.

Lam anunciou que autorizou a vacinação de crianças a partir de cinco anos.

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