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Barros chegou ao Palmeiras para ser dirigente mais discreto que Mattos

Por ser tão diferente do seu antecessor, conseguiu o emprego no final de 2019

24/11/2021 às 09h51
Por: Agora ES Fonte: FOLHAPRESS
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Foto: Reprodução/Internet
Foto: Reprodução/Internet

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - ALEX SABINO

Anderson Barros, 53, tem uma expressão para definir seu estilo de trabalho. Ele se autodenomina um "facilitador de processos". Dentro do Palmeiras, o diretor de futebol é visto como a antítese de Alexandre Mattos.

Por ser tão diferente do seu antecessor, conseguiu o emprego no final de 2019.

Ironizado por não usar WhatsApp e criticado por parte da torcida algumas vezes pelo que se considerou a ausência de reforços de peso (abundantes na era Mattos, que durou de janeiro de 2015 a novembro de 2019), Barros tem no currículo um título da Copa do Brasil, um Paulista e uma Libertadores em dois anos.

No próximo sábado (27), o Palmeiras volta a definir o título continental. Enfrenta o Flamengo, em Montevidéu.

O dirigente recusou todos os pedidos de entrevista da reportagem. Argumentou que o seu estilo de ficar nos bastidores dava certo e ele não mudaria.

A reportagem conversou nas duas últimas semanas com funcionários da Academia de Futebol, pessoas ligadas ao presidente Mauricio Galiotte, jogadores e empresários para traçar o perfil de um cartola que, se for preciso, aceita levar a culpa por decisões tomadas por outros.

Isso aconteceu quando se cogitou a contratação de Hulk, em janeiro de 2021. O atacante disse aceitar reduzir (mas não muito) o salário de cerca de R$ 2 milhões mensais que recebia na China. O negócio não foi adiante porque a ordem era fechar as torneiras e não gastar demais.

Abel Ferreira não queria o reforço. Não por sua qualidade técnica, mas porque o time estava prestes a decidir o título da Libertadores contra o Santos e a chegada de um jogador tão caro poderia influir no ambiente.

Ficou a imagem de que a "culpa" foi de Barros.

Ele foi indicado por ter fama de manter bons ambientes entre os atletas nos clubes em que passou desde que começou no futebol, no Flamengo, em 2004. Depois disso, passou por Figueirense, Coritiba, Vasco e Botafogo.

A ideia com a sua chegada era evitar alguém midiático como Mattos, que, incentivado pela própria diretoria palmeirense, transformou-se em nome mais famoso no clube do que a maioria do elenco. A pedido de Galiotte, chegou a fazer comercial do Avanti, programa de sócio-torcedor. O Palmeiras vendeu camisetas com a caricatura do diretor.

Para o bem e para o mal, o estilo de Mattos era se intrometer em diferentes aspectos da vida do clube. E venceu assim. Ganhou dois Brasileiros (2016 e 2018) e uma Copa do Brasil (2015). Mas por causa de uma sequência de maus resultados, proibiu funcionários do clube de usar a academia do centro de treinamento, por exemplo.

O desgaste seria inevitável e o responsável pelo futebol acumulou desafetos. Quando a hora de mudar chegou, a diretoria procurou alguém de perfil diferente. Achou Barros.

O substituto prefere fazer as refeições nas concentrações ou no CT em horários diferentes dos jogadores. Se precisa estar no mesmo ambiente, escolhe uma mesa distante, para dar liberdade ao grupo.

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