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Round 6: as lições por trás de um seriado

Entre um dos maiores sucessos da história da Netflix está Round 6, uma série sul-coreana, que invadiu as redes sociais com memes, teorias e reflexões. Mas, será que se pode tirar, realmente, algo de bom de uma série que traz em sua pauta a miséria humana?

16/10/2021 às 08h02 Atualizada em 16/10/2021 às 21h05
Por: Agora ES
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Foto: Reprodução Netflix
Foto: Reprodução Netflix

Por Daniele Bolonha e Andressa Rocon

Desde que estreou, em setembro, Round 6 tornou-se a maratona preferida de muitos assinantes da Netflix, em todo o mundo. No Brasil, a série está entre as Top 10 da Netflix, fazendo o mesmo sucesso em mais de 90 países mundo afora, de acordo com informações que circulam pela internet. A série conta a história de pessoas falidas ou endividadas, na Coreia do Sul, que aceitam o convite para um jogo misterioso, com brincadeiras infantis, que tem como prêmio uma quantia exorbitante em dinheiro, e que os eliminados pagam com suas vidas. Cada morte, contabiliza mais dinheiro no porquinho iluminado.

Na trama, quem assiste se depara com pessoas que preferem morrer a deixar de concorrer ao prêmio e voltar para suas vidas. Nos episódios, o desafio é aceito porque todos vivem uma realidade semelhante: o total descontrole financeiro. Essa realidade também é vivida por muitos brasileiros, que, fora das telas, também são humilhados por credores ou recebem cobranças sem qualquer filtro, como no seriado.

Cena do seriado | Imagem: Reprodução Natflix

E, para essas pessoas, o que devolveria a paz? O equilíbrio financeiro ou um consumo comedido? E, como uma brincadeira de criança, a educação financeira não deveria ser ensinada na escola? A Secretaria de Estado da Educação (Sedu) informou por meio de nota que no documento curricular do Novo Ensino Médio Capixaba, que está em fase final de implementação, foi construído um Itinerário Formativo que aborda a Educação Financeira e Tributária.

“A secretaria destaca que os Itinerários Formativos têm como objetivo aprofundar e consolidar a formação integral dos estudantes para realizarem seus Projetos de Vida, incorporando valores universais, desenvolvendo habilidades que permitam uma visão ampla de mundo, tornando-os capazes de tomar decisões dentro e fora da escola”, explicou o órgão na nota.

Jaqueline Souza, mestre em Ciências Sociais | Foto: Arquivo pessoal

“A série mostra uma Coreia empobrecida, que vem ao encontro da realidade brasileira, do que estamos vivendo em tempos de pós-pandemia. Estamos vendo a população de rua crescer assustadoramente; estamos vendo supermercados vazios. A saúde financeira está comprometida, até mesmo a dos mais organizados”, avalia Jaqueline Souza, mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

“Quando vamos falar em educação financeira, encontramos uma contradição: temos um sistema financeiro que oferece, por exemplo, cartão de crédito na rua, sem checar a renda da pessoa. Somos invadidos o tempo todo por propagandas de bens de consumo, para além da sobrevivência. Minha experiência em sala de aula mostra adolescentes que estão próximos a entrar no mercado de trabalho e que, realmente, não sabem como funciona um cartão de crédito, que ainda não entendem o que é uma aposentadoria e que não sabem como é trabalhar de carteira assinada. Então, a educação financeira é uma necessidade”, avalia Jaqueline, que também é professora efetiva de Sociologia da rede pública estadual e que atua como técnica pedagógica na Sedu.

Jaqueline encara de forma positiva a mudança no currículo do Ensino Médio. “O ensino está se adequando. Para além das mudanças curriculares, outras ações de orientação básica na área de finanças devem acompanhar a formação cidadã prevista na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Mas, como vamos falar de educação financeira para uma pessoa que ganha um salário mínimo para sustentar quatro pessoas? Por isso, afirmo que a liberdade financeira e o não endividamento da população, de fato, passa por melhores condições de vida, por implantação de políticas públicas de redistribuição de renda e combate efetivo à pobreza, e, para isso, é necessário oportunidades de trabalho, capacitação para esse mercado de trabalho e de orientação para esses jovens.”

Carlos Perrin, analista do Sebrae | Foto: Arquivo pessoal

Para a cientista social e especialista em Marketing, Liliane Ramos, o consumo é simbólico. “O consumo faz parte do nosso dia a dia e é importante para a construção da vida. O que a gente consome fala muito sobre a gente. O que se precisa tomar cuidado é com o consumismo, pessoas que depositam expectativas da vida no consumo. Aí, sim, acende-se uma luz de atenção”, alerta a cientista.

“Para evitar essas armadilhas, a sugestão é ter um consumo refletido, saindo do automatismo, fazendo uma reflexão se estamos comprando por impulso, por conta de algum comercial, por exemplo. Estamos nos aproximando do período de Black Friday, que é uma prova de resistência para muitos”, lembra.

Alerta

Um órgão do Estado que trata o tempo todo de questões referentes a endividamentos e problemas com o consumo é o Procon. “Os altos níveis de endividamento da população têm, sim, afetado significativamente a vida das pessoas. O segredo da boa educação financeira está no equilíbrio, em direcionar os recursos para equilibrar as contas e gerar reservas. Economizar e guardar dinheiro são decisões inteligentes para quem deseja realizar planos futuros e viver livre de preocupações”, explica o diretor-presidente do Procon-ES, Rogério Athayde.

Rogério Athayde, diretor-presidente do Procon-ES | Foto: Divulgação

Ele destaca a importância de se ter uma educação financeira. “A primeira dica é que haja um planejamento familiar. A segunda é que a pessoa faça uma planilha com todos os gastos mensais, anotando o máximo possível: desde as pequenas despesas, como padaria, até as maiores, como energia, gás e combustível. Os que têm um orçamento muito justo e compromissos de parcelamento, por exemplo, anotando todos os gastos, conseguem ter um maior controle financeiro”, explica.

De acordo com o diretor, o ato de poupar é muito importante, mesmo que seja pouco. “Reduzir o consumo pode ajudar o cidadão a guardar um dinheiro para imprevistos que possam acontecer.”

Rogério também chama a atenção para duas armadilhas do endividamento: o cartão de crédito e o cheque especial. “O cidadão precisa ter a consciência de que o cartão de crédito ou o cheque especial não fazem parte do ganho real dele. Evitar fazer parcelas também é muito importante. Sabemos que fazer uma compra à vista é difícil, mas, se a pessoa tiver a oportunidade, não pense duas vezes.”

E, para as pessoas que estão muito endividadas, com dívidas fora do controle, ele orienta: “procure o setor de negociação do Procon mais próximo. Lá, vamos orientar esse consumidor a ir pelo melhor caminho. É importante também que a pessoa peça ajuda a família, expondo sua situação financeira”, afirma.

Empreendedores

Cena do seriado | Imagem: Reprodução Netflix

Os que empreendem também podem cair em armadilhas do endividamento e, para evitar esses descuidos, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresa (Sebrae/ES) tem um papel importante. O analista do Sebrae Carlos Perrin destacou a importância de se realizar um planejamento financeiro. Para ele, toda boa gestão financeira da empresa depende de uma boa gestão financeira pessoal.

“Tudo começa com três frentes importantes: gestão do caixa - que envolve a gestão do dia a dia, quanto a empresa ganha, quanto ela paga de salário, de imposto; a gestão de investimentos - que envolve empréstimos ou financiamentos que a empresa venha a fazer, como modernização, ou algum tipo de ação, por exemplo; e a gestão de crise - o empresário precisa saber que é fundamental ter uma reserva financeira, pois caso ele tenha uma redução de renda, consegue manter o negócio funcionando.”

O Sebrae disponibiliza e-books gratuitos para empreendedores, com foco em gestão financeira, planejamento e vendas, e capital de giro nas pequenas empresas.

Foto: Andressa Rocon

LIVRO TERAPIA FINANCEIRA

No livro Terapia Financeira, o autor Reinaldo Domingos apresenta a metodologia que desenvolveu, a partir de sua experiência pessoal, para ajudar as pessoas a lidar de maneira saudável com suas finanças, a fim de conquistar o equilíbrio e a independência financeira e viabilizar seus sonhos.

Partindo da constatação de que as gerações passadas não aprenderam a lidar com o dinheiro de forma estruturada, Reinaldo decidiu sintetizar neste livro o resultado de anos de reflexão e observação do comportamento humano, associado às práticas cotidianas e aos conceitos que desenvolveu ao longo do tempo, o que constitui a filosofia de vida que o levou a conquistar sua independência financeira antes dos 40 anos de idade.

De acordo com a visão do autor, a Educação Financeira não se restringe à disseminação de conhecimentos, ela envolve um olhar mais aprofundado sobre o ser humano, considerando seu comportamento em relação ao dinheiro.

Baseado em fatos reais da vida dele, o autor compartilha a Metodologia DSOP (Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Poupar), onde transmite informações e estratégias para que o leitor realize cada etapa necessária para realizar seus sonhos.

“Desejo que o Terapia Financeira seja seu livro de cabeceira, aquele livro no qual você possa encontrar respostas e soluções para a maioria das suas aflições em relação ao dinheiro. E, principalmente, que possa encontrar nele o caminho para a realização dos seus sonhos de curto, médio e longo prazos, de forma sustentável e próspera financeiramente”, diz o autor.

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Cena do seriado | Imagem: Reprodução Netflix

Medidas que ajudam a evitar acúmulo de dívidas  

Trace objetivos: Objetivos definidos ajudam as pessoas a não saírem gastando em coisas sem importância e que não agregam valor.  

Fuja das dívidas: É preciso gastar menos do que se ganha, elaborar um orçamento e cumpri-lo.  

Caminhando na mesma direção: Conversar com a família sobre os objetivos com relação ao dinheiro e como está o orçamento familiar é importante. Para isso, é necessário um orçamento familiar doméstico.  

Financiamentos e parcelas: Cuidado com o excesso de compras parceladas. A oferta de crédito é muito grande, mas é preciso avaliar se realmente é vantajoso, se você não está pagando dois produtos e levando apenas um. Verifique o nível de comprometimento.  

Fazer lista de compras antes de sair para o supermercado: A lista dos produtos necessários evita que você gaste além do que precisa.  

Uso do cartão de crédito e cheque especial: Evite ter muitos cartões, tenha apenas um com o limite dentro das suas possibilidades. 

(Fonte: Sebrae/ES)

Imagem: Reprodução Instagram

6 REFLEXÕES COM A SÉRIE ROUND 6

1. As dívidas e a falta de inteligência financeira podem arruinar a sua vida;

2. Algumas pessoas são suas amigas apenas por conveniência, fique sempre atento(a);

3. A vida não é justa, não espere que alguém venha salvar você;

4. Algumas pessoas são capazes de qualquer coisa por dinheiro;

5. Não existe dinheiro fácil, apostas e jogos de azar são apenas armadilhas;

6. Seja uma pessoa boa, mas não deixe que isso se torne algo negativo na sua vida.

(Fonte: Instagram)

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