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Aula presencial na rede estadual volta a ser obrigatória a partir da segunda (26)

Na Serra, o retorno também será a partir do dia 02 de agosto, ainda no modelo híbrido

24/07/2021 às 09h09 Atualizada em 25/07/2021 às 12h31
Por: Redação Agora ES
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Foto: Governo do ES
Foto: Governo do ES

Por Andressa Rocon

Após um longo período estudando de maneira remota por conta da pandemia da Covid-19, o estudante Iago Antônio Ferreira Fazolo, de 16 anos, conta que a volta das aulas presenciais tem sido marcada por uma grande expectativa e ansiedade. “Estava muito ansioso para encontrar os professores e os amigos da escola. Essa vivência é fundamental para a aprendizagem”, avalia.

“Considero o estudo de forma presencial muito importante. A aprendizagem fica muito mais fácil para nós, alunos, em relação à compreensão dos conteúdos, pois temos a presença do professor, que já conhece a turma e, se surge alguma dúvida no momento, ele está ali para ajudar, o que torna os estudos mais simples e significativos”, disse Iago, que estuda na 1ª Série da Escola Estadual CEEFMTI Elisa Paiva, em Conceição do Castelo.

O estudante conta que teve algumas dificuldades durante esse período para estudar remotamente. “Em casa, não conseguia ficar muito tempo na frente do computador. Tive de criar uma rotina de estudos e me adaptar a esse novo modelo. Tive dificuldades de concentração por conta das distrações com barulhos, animais e conversa com familiares”, afirmou.

Iago Antônio Ferreira Fazolo, de 16 anos | Foto: Arquivo

O professor e mestre em Ensino de Física, Fabricio Antunes, considera fundamental o retorno das aulas presenciais. “O distanciamento imposto pela pandemia trouxe alguns impactos negativos, como ansiedade, desânimo, entre outros fatores. Esse reencontro com a escola permite ao estudante interagir com o professor e com os pares, que é algo importante para a aprendizagem, uma vez que, por meio da interação, o estudante pode tirar dúvidas, questionar e contribuir com aquilo que ele traz de informação para uma aprendizagem mais ativa”, ressalta o professor.

Ele também fez um alerta sobre os protocolos de saúde, que devem continuar. “O que não se pode esquecer é que o retorno ao presencial é para que a aprendizagem de qualidade seja garantida ao estudante, mas não se pode negar que a vida não está 100% normal. É preciso que se mantenha todos os protocolos de segurança para que esse direito à aprendizagem que o presencial permite não se torne um problema, com o aumento de casos de pessoas contaminadas pela Covid-19. Se mantivermos todos os protocolos, como as escolas estão tendo desde quando o governo decretou a volta de forma híbrida em formato de revezamento, o retorno presencial só tem a acrescentar na vida dos estudantes”, alerta.

O professor também avalia que o processo de ensino-aprendizagem jamais será o mesmo após a pandemia. “Muitos estudantes tiveram acesso a recursos tecnológicos, ferramentas digitais de aprendizagem, aplicativos e formatos diferenciados de aprendizagem virtual. Isso permitiu que os alunos pudessem ser mais ativos, protagonistas da própria aprendizagem, sendo mais criativos e com pensamento crítico. Isso exige que a escola pós-pandemia, se torne mais dinâmica e tecnológica para atender a esses alunos que estão voltando e não suportarão mais aquele formato de apenas copiar do quadro”, avalia.

Retorno presencial

A partir desta segunda-feira (26), as aulas presenciais na rede estadual voltarão a ser obrigatórias. "A partir do dia 26 muda a alternância. Ela passa de uma semana sim e outra não para um dia sim e o outro não. Uma turma de alunos vai um dia e, no outro dia, a outra turma de alunos. Torna-se obrigatória a presença do aluno em sala de aula. No momento é opcional", explicou o governador Renato Casagrande.

“Para as demais redes, sejam públicas ou privadas, o governador recomendou que seguissem a mesma orientação da rede estadual de ensino. A cada dia haverá um grupo de alunos em sala de aula. O que estiver em casa, fará as atividades de forma remota. Todas as escolas estão plenamente preparadas para enfrentar a pandemia com atividades presenciais e, isso, já há muito tempo. Lembrando que, no Espírito Santo, as escolas públicas estaduais já abriram suas portas desde outubro de 2020”, destaca o secretário de Educação Vitor de Ângelo.

Fabricio Antunes, professor e mestre em Ensino de Física | Foto: Arquivo

Municípios

Em Cariacica, a prefeitura informou que, com o avanço da vacinação no município, a Secretaria de Educação definiu que, a partir do dia 02 de agosto, será obrigatório o retorno das aulas presenciais de todos os alunos da rede municipal: os estudantes são divididos em dois grupos e, durante a semana, metade estuda presencialmente em dois dias e a outra metade em outros dois dias. A exceção do retorno presencial será apenas para alunos com comorbidades. Na Serra, o retorno também será a partir do dia 02 de agosto, ainda no modelo híbrido.

Já a Prefeitura de Vila Velha informou que está discutindo as novas diretrizes apresentadas pelo governo do Estado. Em Vitória, a prefeitura informou que haverá revezamento: um grupo de estudantes estará nas salas de aula às segundas, quartas e sextas-feiras e, o outro grupo, às terças e quintas. Na semana seguinte, há a inversão.

Reforço

O secretário Vitor de Angelo anunciou ainda algumas novidades para o segundo semestre letivo nas escolas estaduais. Aulas de reforço e recuperação em todas as unidades de ensino é a principal ação, que integra o Programa de Fortalecimento da Aprendizagem. “Para nós, foi muito importante saber o quanto cada estudante aprendeu, por componente curricular, série, modalidade, entre outros, para entrar com a intervenção pedagógica”, disse Vitor de Angelo.

Imagem ilustrativa

Entre outras ações já anunciadas pela Sedu, e que estão em andamento, está a entrega de 60 mil chromebooks aos estudantes do Ensino Médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), um investimento de mais de R$ 100 milhões, e a destinação de recursos aos professores para a aquisição de computadores e pacote de dados, projeto que está sendo realizado por adesão e que pode beneficiar cerca de 15 mil professores, com investimento de mais de R$ 55 milhões.

“A nossa rede foi uma das que mais se estruturou na pandemia. Criamos o Programa EscoLar, a plataforma Escola Segura e os protocolos de segurança para a volta às aulas presenciais”, afirmou Vitor de Angelo.

LANÇAMENTO DE LIVRO

Para auxiliar professores e estudantes sobre como ensinar e aprender de uma forma mais ativa, o professor vai lançar, no início de agosto, o livro Quatro Elementos de Interação em Quatro níveis de aprendizagem, que, segundo ele, busca aproximar o estudante da escola após esse período tão devastador. “A metodologia que desenvolvi e está no livro. Vai falar justamente sobre o protagonismo do estudante, a fim de que ele se torne um pesquisador e, com isso, encontre uma nova forma de garantir sua aprendizagem.”

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